Dieta contra o cancro

 Dieta contra o cancroUma dieta contra o cancro pode ser, além dos tratamentos convencionais (quimioterapia, radioterapia, cirurgia … ), uma poderosa arma, em forma de alimentação, ao alcance de todos para combater esta temível doença quando instalada ou como medida de prevenção.

Alimentos que ajudam a combater o cancro

Muitos alimentos extremamente ricos em vitaminas, minerais e fitoquímicos, ajudam a combater o cancro, quer seja porque aumentam as nossas defesas contribuindo para um sistema imunitário saudável, ou porque ajudam a destruir as células cancerígenas, ou porque travam o crescimento do tumor ou, porque ajudam a remover as substâncias cancerígenas. Quando ingeridos de forma habitual têm demonstrado, segundo muitos estudos, serem eficientes na luta contra o aparecimento de certas formas de cancro.

Cúrcuma: é o mais poderoso anti-inflamatório natural conhecido. É uma antiga especiarias da Ásia. A curcumina inibe o crescimento dos tumores do cólon, do estômago, do fígado, da mama, do ovário e leucemia. É recomendado consumir juntamente com pimenta preta ou dissolvido em óleo de linhaça ou azeite virgem de boa qualidade para melhorar a sua absorção. Atualmente também pode ser encontrado em cápsulas.

Gengibre: a raiz de gengibre tem efeito anti-inflamatório, antioxidante e purificador do fígado. É um alimento ideal para uma alimentação contra o cancro, pois atua contra determinadas células cancerígenas. O chá de gengibre também serve para aliviar as náuseas provocadas pela quimioterapia e a radioterapia. Pode temperar as verduras com gengibre ralado. Para fazer chá, cortar um pedaço de gengibre em rodelas finas e deitar na água a ferver durante dez a quinze minutos; pode ser bebido quente ou frio.

Legumes crucíferas: quase todos os vegetais ajudam a combater o cancro, no entanto, segundo muitas investigações as crucíferas possuem um efeito anticancerígeno mais notável. Repolho, couve de Bruxelas, couve-flor, brócolos, nabo, todos estes vegetais impedem que as células pré-cancerígenas possam dar origem a tumores malignos, graças à molécula indol -3-carbinol e ao sulfurafano presentes nestes legumes. O repolho e o brócolo não devem ferver porque perdem estas propriedades. Além disso, estes vegetais ajudam a proteger as células normais durante o tratamento da radioterapia, diminuindo os efeitos secundários da radiação. Outra vantagem é que ao ingerir muitos legumes e fruta, aumentará o consumo de fibra, factor muito importante numa dieta contra o cancro, já que a fibra tem um efeito protetor contra vários tipos de cancro.

Frutos vermelhos: amoras, framboesas, morangos, groselhas, cerejas, mirtilos devem fazer parte de uma dieta contra o cancro devido aos potentes antioxidantes que contêm. As framboesas e os morangos desaceleram o crescimento do tumor graças ao ácido elágico. As cerejas desintoxicam o corpo de substâncias químicas devido ao ácido glucárico. Os mirtilos são especialmente eficazes contro o cancro do cólon pelas suas substâncias pro antocianidinas, contidas também no chocolate preto, canela e cranberry.

Cogumelos orientais para aumentar as defesas: além dos cogumelos comuns, os cogumelos pouco conhecidos como o shiitake, enoitake mas sobretudo o cogumelo-ostra são benéficos e devem fazer parte duma dieta contra o cancro, devido às propriedades químicas que contêm, entre as quais, o lentinano e polisacáridos, que estimulam as células do sistema imunitário. Estes fungos são habitualmente usados no Japão como complemento à quimioterapia para ajudar a reforçar a imunidade. Tomar em sopas, caldos, ou misturados com os outros vegetais.

Chá verde : seus polifenóis, nomeadamente as catequinas (e especialmente a epigalocatequinagalato-3 o EGCG), impedem que o tumor cresça e avance. Além disso parece ser que potencia os efeitos da radioterapia. O chá verde japonês (Sencha, Gyokuro, Match, etc.) são mais ricos em EGCG que o chá verde chino. Para beneficiar das substâncias protetoras, o chá verde deve ficar em infusão entre cinco e dez minutos de modo a libertar as catequinas. Não deve guardar o chá verde para mais tarde, pois numa questão de uma hora, perde os benéficos polifenóis.

Soja: impede o crescimento do tumor devido às isoflavonas, substâncias estas que se assemelham aos estrogénios femininos. Atenção: não é aconselhável o abuso da soja nem dos preparados com isoflavona para a menopausa, nem o seu uso pelas pessoas que tiveram cancro de mama. Consulte o seu médico ou especialista .

Especiarias e ervas aromáticas: hortelã, tomilho, manjerona, orégão, manjericão e alecrim, todas são ricos em terpenos que impedem o crescimento das células cancerígenas . Além disso, a apigenina, um anti-inflamatório abundante na salsa e no aipo impede o desenvolvimento do tumor. O carnosol do alecrim é um potente anti-inflamatório e está demonstrado a sua capacidade para potenciar a eficacia do tratamento da quimioterapia.

Legumes e frutas ricas em vitamina A e licopeno: cenoura, curgete, abóbora, batata doce, inhame, tomate, damasco, beterraba, caqui. Estudos demonstraram que estes vegetais têm a capacidade de inibir o crescimento das células cancerígenas, algumas particularmente agressivas como as gliomas cerebrais. No caso do tomate, tem de ser cozido para libertar o licopeno, um potente antioxidante, também encontrado no molho de tomate, se for de conserva preferir com azeite sem adição de açúcar, ou então caseiro.

De todas as vitaminas e minerais, os que mais efeito protetor exercem contra o cancro são a vitamina A, o beta -caroteno – que o organismo converte depois em vitamina A -, a vitamina C e E e o mineral selênio. As fontes mais ricas destes micro nutrientes antioxidantes são os vegetais e a fruta.

Alho, cebola, alho-francês, cebolinho: promove a morte das células cancerígenas nos cancros de cólon, mama, pulmão, próstata e na leucemia. Além disso todas estas verduras ajudam a regular os níveis de açúcar no sangue, que por sua vez fazem reduzir a secreção da insulina, o que impede o crescimento das células cancerígenas. O alho liberta as substâncias benefícas quando é esmagado e misturado com um pouco de azeite para ser melhor absorvido pelo corpo.

Algas: as principais algas comestíveis são: nori, kombu, wakame, arame e dulse. Estas algas consumidas de forma habitual na Asia contêm substancias que travam o crescimento de alguns cancros A fucoidina, presente nas algas kombu e wakame, ajudam a a matar as células cancerígenas e estimulam as células imunes. A fucoxantina é uma substãncia que confere o tom castanho a determinadas variedades de algas. Se trata de um carotenoide (da mesma família do licopeno contidos nos tomates), mas muito mais eficiente que o licopeno do tomate para inibir o crescimento das células do cancro de próstata. As algas podem ser adicionadas a sopas ou saladas, ou também às leguminosas, ervilhas, lentilhas, feijão, grão de bico.

O iogurte orgânico e o kefir: são ricos em bactérias vivas – Lactobacillus acidophilus e Lactobacillus bifidus. Ficou demostrado que estas duas bactérias probióticas inibem o crescimento das células do cancro do cólon. Além disso ajudam na digestão e favorecem o trânsito intestinal, contribuindo para um sistema imunitário saudável.  Alguns iogurtes de soja são enriquecidas com probióticos. Estas bactérias benéficas podem ser encontradas também no chucrute. Finalmente, há uma série de alimentos que são prebióticos, que estimulam o desenvolvimento de bactérias probióticas, alguns exemplos são: alho, cebola , tomate, espargos, banana e trigo .

A linhaça é rica em lignanas uns fitoestrogênios que reduzem o efeito maléfico das hormonas que promovem o crescimento do cancro. Um recente estudo da Universidade de Duke revelou que a ingestão diária de 30 g de sementes de linho travou entre 30% a 40 % o crescimento de tumores de próstata já existentes. Pode ser consumido, ao adicionar sementes de linho ao iogurte, com os cereais de pequeno almoço, ou esparecidos sobre as saladas. A semente de linho pode ser substituída por óleo de linhaça, sendo mais fácil de usar, embora contenha menos lignanas. Este óleo deve ser guardado no frigorifico, num recipiente escuro para evitar o ranço.

Peixe gordo: os ácidos ómega-3 de cadeia longa, presentes no peixe gordo (ou em suplementos de óleo de peixe purificado encontrados na farmácia), fazem reduzir a inflamação e reduzem o crescimento e o avance das células cancerígenas. Diversos estudos demonstraram que o risco de sofrer cancro é menor naquelas pessoas que consomem peixe azul pelo menos duas vezes por semana. No entanto a contaminação deste tipo de peixe deve ser tida em conta, já que a gordura do peixe gordo alberga contaminantes dos oceanos como mercúrio, PCBs e dioxinas. A solução para minimizar este problema é escolher variedades mais pequenas de peixe azul, como anchovas, sardinhas (as de conserva devem estar em azeite e não óleo), cavala. O salmão é também uma boa fonte de omega-3 e ainda pouco contaminado.

Aumentar a ingestão de peixe azul é fundamental para manter o equilíbrio das gorduras ómega 6 e ómega 3. Um desiquilíbrio entre estes dois ácidos está na orgiem de alguns tipos de cancro, causados pelo excesso dos ómega 6, acusados de fazer aumentar a inflamação no corpo. Inflamação esta que está na origem de muitas doenças, entre elas, o cancro.

Azeite virgem:  rico em ácidos gordos monoinsaturados (ácido oleico), que não estimulam os processos cancerígenos, ao contrários dos ácidos gordos polininsaturados ricos em ómega 6 que promovem o desenvolvimento dos tumores. Além disso, contém vitamina E e polifenóis (hidroxitirisol, oleuropeína, flavonoides e catequinas) umas substâncias antioxidantes que ajudam a prevenir o cancro. Faça do azeite a gordura preferida tanto para cozinhar como temperar.

A dieta contra o cancro também é útil para prevenir as doenças cardiovasculares e para proteger a saúde em geral. Controle o seu peso e siga uma dieta o mais natural possível e baixa em calorias, e não descure a  atividade física, pois, muitos estudos demonstraram que a prática do exercício físico associado a uma alimentação saudável reduz em 40 % o risco de cancro.

 

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